quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Ócios do ofício

Engenharia: separa os homens dos meninos...



... e das mulheres também.

domingo, 2 de agosto de 2009

22

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Trocarajo del Cadilho

Impressionante o que o ócio pode fazer. Meu álbum no orkut é um exemplo. Algumas vezes a “inspiração” vem quando eu menos espero, em situações corriqueiras, em estado mental debilitado, dormindo, “inebriado”, cansado, que seja, sempre pode aparecer uma besteira nessa cachola. Muitas são as invenções, pena que não utilizo quase nada das minhas criações. Se a ausência de vergonha fosse suficiente, colocaria várias táticas de approach em prática, mas a realidade é outra. Um dia quem sabe. Mas ontem, mesmo estando três xícaras de café forte, três cervejas e quatro caipirinhas acima do nível que estou agora, consegui me superar. Bolei um personagem do nada, sustentei-o pelo resto da noite e logrei “ótimos resultados”. Não foi uma tarefa fácil, pois não tenho uma aparência de gringo. Entenda se puder. Ainda para completar, no “ardor da hora”, criei “Em terra de cego de cócoras, como eles!” (sic). Pior foi ter que explicar a razão das minhas gargalhadas incessantes para a garota. Não tive a mesma imaginação para inventar uma desculpa e fiquei com a velha “lembrei de uma piada”. Mas explicar isso em portunhol é outra coisa.

domingo, 12 de julho de 2009

Salve a Hipocrisia




Rei do pop; eterno; injustiçado; excêntrico; inigualável; carente; criança problemática; lenda



Bizarro; pedófilo; desequilibrado; psicopata; acabado; fracassado



MÍDIA: Hipócrita



quinta-feira, 2 de julho de 2009

Na orla

Então, chegara. A vaga não parecia muito apertada, logo, o pequeno carro entrou rapidamente entre o Fusion e o C4 que ocupavam os espaços laterais, que contraste. Perfeito! Ainda mais àquela hora. Olhou ao redor, nem sinal de flanelinhas, melhor ainda. Tratou de levar apenas o necessário, chave e alguns trocados. Travou o carro com a usual batida na porta, mais uma vez, não sabia para qual lado girar a chave. Para um lado, levanta a “maçaneta”, abriu, bate a porta outra vez, ainda não foi suficiente, abre, bate mais forte, gira para o outro lado,  “maçaneta”,  travada. Perfeito!

Dá a primeira esticada na coluna enquanto olha o movimento em volta. O calçadão está cheio, pessoas vão e voltam. Com cachorros, com crianças, turistas, vendedores, pedintes, início de noite normal. Pegou o mp3, que música estaria tocando? Olha a marquinha em cada fone: R, vai para a orelha direita, o outro nem era preciso olhar. Que economia de tempo! Play. AC/DC. Wow! Perfeito. Sentiu a música agitando seu cérebro, descia pela espinha e contraía os músculos. Nem precisara de aquecimento. Atravessou a rua com o pique de maratonista. Respirava forte e sentia o cheiro ar denso vindo do mar, certo que trazia também alguns odores típicos das redondezas mas algo aceitável.

Nossa, que disposição. Peito cheio, movimentos decididos, rápidos e cheios de energia. Olhava tudo em volta como procurando um reconhecimento por suas ações. Pisava firme, másculo, compassado com a batida da bateria. A guitarra acompanhava as vibrações do ar passando pela traqueia. Presumia que o boné impedia que as luzes dos postes iluminassem o rosto, contrastando com o branco da camisa. Esbanjava energia por onde passava. Subia a proteção dos bancos para ultrapassar velhinhos mais lentos a sua frente. Frequentemente recorria ao meio fio como rota de fuga aos retardatários. E as garotas? Nossa!! Várias de shortinho ou calça coladas, peitos seguros por suportes de lycra ou quicando dentro das blusas. Muitas também seguiam os ritmos dos mp3. Procurava adivinhar o que cada uma ouvia pela expressão nos rostos, mas não conseguia muito sucesso. Todas com olhares perdidos, voltados ao solo cujos pés pisariam dentro de instantes.

Não deu muita importância. Dentro de instantes alguém perceberia sua disposição e simpatia e finalmente poderia pronunciar as primeiras palavras do dia, não para um telefone, interfone ou meros bons dias de elevador. Seria conversa mesmo, quem sabe até flertes!? Continuava com passos firmes e velozes. Chegara ao refrão da primeira música e já havia coberto três quarteirões. Sim, esse era o clímax. Sim, ele era o cara!

Levantou o rosto e pode ver as luzes dos postes, seu rosto estava à mostra para quem quisesse fazer contato visual e reconhecer o bem estar que sentia com aqueles ventos cortando seu rosto a seis metros por segundo. Seus olhares abordavam as pessoas ao redor com um sorriso aberto e as maçãs do rosto arrebitadas quase cobrindo a base dos olhos, quem seria a primeira a cruzar olhares?

O refrão acabara, e junto com o fim da música veio a dorzinha no canto da barriga. Dorzinha esta que, quando criança, ainda lembrara, chamavam de dor desviada e os mais sacanas puxavam para dor de viado. Após seus pensamentos deixarem a infância e voltarem à época atual, reparou algo. Ninguém reparava. Não olhavam, não percebiam aquele vigor e a felicidade por ter saído do espaço entre as paredes encardidas de sua casa. Pareciam não compartilhar da satisfação de ter ar novo nos pulmões. Tirou os fones e percebeu que ninguém ouvia AC/DC como ele. Era um misto de conversa abafada, carros passando buzina, vendedor de apito de gato, anúncio de dvd de palhaço em bicicleta.

Logo parou de correr. Começou a caminhar assim como a maioria ao seu redor, um pouco mais rápido que todos, assim como suas pernas permitiam. Que bosta. Ninguém liga. Terminou o calçadão com Belle & Sebastian fazendo companhia monotonia de seus passos. Chegou à praça, sentou por um instante, tirou os tênis para livrar-se das pedrinhas incômodas. Pessoas conversavam sobre assuntos para os quais também não ligaria. Recolocou os tênis e pôs-se a caminhar novamente. Reparou então que quase todos caminhavam e conversavam com alguém, talvez por isso não o viam. Completou os três mil metros, tirou os tênis mais uma vez, livrou-se das pedrinhas e pôs-se a voltar para o carro.

A essa hora já sentia sede. Avistou um isopor sobre um carrinho de mão, detrás dele saiu um senhor de meia idade e barba por fazer com boné de político, sem camisa e aparentemente sem cortador de unha. Intentou em pedir um coco mas seu olhar foi rapidamente arrastado para a cerveja. Quando o vendedor abriu o isopor, pensou em desistir, mas a expressão em seu rosto pouco demonstrava preocupação com aquilo. Em outras palavras, pensou: “Estou pouco me fodendo.”  Enquanto o vendedor procurava a flanela imunda, abriu a garrafa no braço esquerdo, colocou a nota de dois sobre o isopor e saiu. Quando o vendedor subiu seus olhos em sua direção, já estava a quatro passos de distância. Completou a caminhada até o banco mais próximo com a garrafa de cerveja, hora na boca, hora na mão direita.

Sentou-se e espantou os olhares de desaprovação com longos goles de Antárctica fria. Reparou que não muito antes, seus pensamentos recriminaram um careca barrigudo sem camisa que caminhava com um cigarro aceso na mão. Sentiu-se como ele e logo mandou os pesamentos passearem.

Jogou o casco vazio na lixeira e ficou esperando pelo barulho de garrafa batendo em outra. Em vão. Os garis tinham acabado de limpar as lixeiras da orla. Resignado com a perda desse último pequeno prazer, voltou para o outro lado da rua.

Tentou aproximar-se do carro sorrateiramente para despistar o flanelinha desatento na esquina. Em vão. Sem abrir os vidros, meteu-se rapidamente para dentro e pôs-se a ignorá-lo até que se mancou e foi cobrar de outro motorista. Vitória.
 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Diálogos de (in)consciência: uma muriçoca

Zzzzziiimmmmmmmm
Uma mão espalmada rasga o ar. Segundos mais tarde:
Zzzzzzzzzzzzzzzzzziiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmmmmmm
Duas mãos remechem no ar freneticamente.
Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzziiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmmmmmmmmm
O sopapo de minha mão esquerda atingindo meu rosto ecoa no quarto.

- Que foi? Auto-flagelação como penitência, agora?

- Hahaha - Irônico – Será que eu posso dormir, por favor? Já passa da meia noite e eu não quero perder o pouco sono que acumulei durante horas no computador.

- Á vontade, só estou no meio de uma refeição noturna.

- É, mas acontece que comer durante a noite engorda e meu sangue é o prato principal. Vai procurar outro, vai! Se continuar me azucrinando, vai terminar espatifada com um tapa.

- Qual foi?!? Vocês não se vangloriam por estar no topo da cadeia alimentar? Os todos poderosos humanos, a espécie que domina, e está destruindo, o mundo, ocupando todos os habitats! Renda-se, minha função é sugar-lhe o sangue, é para isso que estou aqui.

- Ah, lá vem com essa de “o homem está destruindo a natureza”. Olha aqui, eu nunca cortei uma árvore, beleza!? Além do mais, você não precisa estar aqui, poderia muito bem estar se alimentando de frutas assim como seus machos, viu, dona sangue-suga!

- Ohhhh! Estou impressionada! Onde viu isso? Discovery Channel? TV Escola? Wikipédia? Olha, poderia explicar cientificamente, mas para um mero aspirante a engenheiro, os fatos biológicos não seriam bem interessantes. Digo apenas que, assim como você não gosta de passar horas procurando lençol de cama num shopping nem suas fêmeas curtem esportes semi-violentos regados a cerveja nos domingos, nossa espécie também tem lá suas diferenças.

- Ah, que tocante, daqui a pouco vai tentar me convencer que também são gente. Eu não estou interessado nessas suas confidências de artrópode, viu. Tenho um endoesqueleto pesado, coberto com musculos semi-desenvolvidos igualmente pesados e se a senhorita pensar em me picar e transmitir alguma doença com esse seu ferrãozinho grotesco, não hesitarei em usar minhas vantagens evolutivas, viu!?

- Nossa, estou de certa forma impressionada viu! Tia Gardênia fez um bom trabalho na oitava série viu. Mas nem tudo são flores. Isso não é um ferrão, é uma probóscide, tromba para você.

- Aprendi mais biologia no terceiro ano mesmo, só para passar no vestibular. Algumas coisas ficaram emperradas ocupando espaço, quisera eu que fosse preenchido com coisas mais úteis para mim.

- Como o uso dos “Porquês”, por exemplo. Mas não se preocupe,baby, me tornei adulta há quinze horas atrás e estive voando pela bunda daquele cachorro xexelento ali do INSS. Não tem perigo de te transimitir nada não. Mas me adimiro você, nascido e criado por essas bandas do nordeste, acostumado com muriçocas desde cedo, ficar com medinho de doença de mosquito, eu hein. Essas suas idas pelas “Zoropa” te deixaram muito fresco viu!

- Como se não soubesse da dengue, né?! E não estive nas “Zoropa”, não. Atualize sua geografia. Odeio quando confundem as coisas, mas pior mesmo é quando acham que eu acho isso o máximo ou ficam dizendo: “Ah, mas você não odiava os EUA?”

- Claro que eu sei da dengue, seu presunçoso. Mas não tenho listrinhas não, viu. Na verdade acho aquilo muito cafona. Parecem que vieram de uma zebra. Não me misturo com Aedes. E aliás, vocês, humanos, transmitem muito mais doenças entre vocês mesmo que de nós, pobres criaturas de exoesqueleto queratinizado. E eu só falei das “Zoropa” para usar o clichê mesmo, regionalismos, sabe?! Estive grande parte de minha vida (duas horas) ali pela sala também, tive algum contato com sua família.

- Mas como é que você sabe de tudo isso?

- Isso por que na verdade sou sua consciência, né!? Ou você acha que estaria falando mesmo com um mosquito?

- Hummm...E como eu consigo isso?

- Sei lá. São essas coisas da cabeça, sabe. Seu cérebro pesa 100.000 vezes mais que meu corpo todo. Se você mesmo não o entende, imagina eu. Ainda sou do tempo do sistema nervoso difuso, bem. Isso não é para mim não.

- É, estranho, né!?

- Eu que o diga!

- Nós somos mesmo complicados. Mas as mulheres são mais, viu.

- Ah, você e essas eternas confusões com mulheres.

- Como você sabe?

- Consciência, lembra?

- Ah, foi mal!

- Olha, vou dizer uma coisa. Meu ciclo de vida é mó paia, não tem graça nenhuma. Você tá ali, voando, aí vê uma pocinha d’água limpa, tem um carinha ali voando também, aí PIMBA! Pronto, que graça tem!? E nem adianta procurar alguém com umas asinhas lisas ou perninhas mais cumpridas, afinal em algumas horas eu vou estar morta mesmo. Vamos passar logo a porra desses genes para frente e dane-se. Deixa a natureza tomar conta das larvas depois.

- E eu com isso?

- Ah, você, verterbrado egocêntrico, você é um primata superior. Você é a nata da evolução, ou a obra-prima do TODO PODEROSO, seja lá qual for seu credo.

- Isso é meio complicado também, pois...

- Cala a boca! O que estou querendo dizer é que você é um homo sapiens,aliás, homo sapiens sapiens. E se um dia resolverem colocar outro sapiens no final, você deve ser também. E ainda mais, você é macho! Homem é o rei da baboseira,as fêmeas é que caem nas suas conversas moles. Macho não tem nada que ficar nessa blá blá blá melodramático: “Ah, quem eu quero...”; “Ah, as mulheres...”; “Ah, eu nunca mais...”; “Ah, fui traído...”. Acorda!!!! Romantismo já passou, negócio agora é pós-modernismo. Negócio tá bagunçado, niguém segue mais regra. Tá uma putaria mesmo!! Qualquer um é um gênio da arte, aliás, ninguém mais sabe que porra é arte. Você faz seu mundo, sua vida, seus personagens, vai atrás daqueles que têm a mesma opinião, daqueles que se encaixam com você. Tem gente de todo o tipo no mundo, pode ser que você ache mais meninas chororôs com pensamentos ultrapassados como você, mas a maioria não. Sai dessa, vai experimentar a vida, as aventuras, as paixões, os amores, por que não? O que aconteceu com “aguardando o inesperado”?

- Ainda existe.

- Então! Vai para cima, fecha os olhos e vai com tudo, se mete de peito! “Segura na mão de Deus e vaaaaai!” Não era assim que diziam?

- Era. Mas tá tão difícil, complicado. Auto-estima é...

- Se eu tivesse massa suficiente eu te dava um tapa na cara agora mesmo, daqueles bem novela das oito mesmo.

- Não me fala de novela que eu tenho abuso.

- Olha para você, seu bundão! Não sou muito de analisar os machos dos seres humanos, por mim, não estando anêmico, dá para ir. Mas você é novo, tem 21 anos,se bem que para mim é suficiente para inúmeras gerações, mas não vem ao caso. Tem um ótimo futuro, é até bem apresentável, mora numa cidade grande, cheia de coisas para fazer, para os mais diversos gostos, num ap. legal, só para você, tem carro, não falta grana para bons fins... Tá esperando o que?!?!

- Eu sei disso.

- Eu sei que você sabe, só não quer ver. A minha vida é simples. A de vocês é mais complicada, mas mesmo assim, é simples. Curta, pule, brinque, bote para quebrar. Você é gente boa, sangue bom, O positivo, gosto disso. Aglutininas sem aglutinogênio, antígeno Rh então, MARA!

- Acho que elas não estão muito interessadas nisso.

- Danem-se, não sabem o que perdem. Acho que se fosse humana, teria fortes tendências vampíricas.

- Hahaha. Tipo: “Se eu fosse mulher, seria lésbica!”. Muito original!! =/

- Sim,que seja, já dei meu recado. Posso beber uma gotinha aí??

- Vê se não faz muito estrago hein?! – estico-lhe o braço esquerdo.

- Não se preocupe, eu vivo disso.

Ela aproxima-se do meu braço, pousa e introduz o fer... a probóscide. Suga, suga, praticamente triplica de tamanho

- Satisfeita!?!?

- Deu para o gasto.

- Bom!

LAPO!!

- Ninguém me chama de bundão, bebe meu sangue e vai embora. Além do mais, quem cai em conversa mole, mesmo?